SEM CHANCES DE GOLPE, CAPITÃO

“EUA devem deixar claro para Bolsonaro que interrupção na democracia seria intolerável”, diz Washington Post

O PRÓXIMO?! Após vitória de Biden, hashtag #BolsonaroEoProximo bomba nas  redes sociais - VEJA MEMES - Polêmica Paraíba - Polêmica Paraíba

O Washington Post publicou hoje um editorial sobre o fracasso de Jair Bolsonaro no combate à pandemia e sobre as trocas sem explicações na Defesa. Afirmou que “embora as instituições democráticas do Brasil sejam relativamente fortes após mais de três décadas de consolidação, há motivos para preocupação”.

O texto lembra a admiração de Jair Bolsonaro pelo regime militar e por Donald Trump. Nota que ele repete a tática de alertar sobre a possibilidade de fraude nas eleições.

“As democracias dos Estados Unidos e da América Latina devem prestar atenção à medida que as eleições do próximo ano se aproximam — e deixar claro para Bolsonaro que uma interrupção da democracia seria intolerável”.

“O presidente brasileiro já contribuiu muito para o agravamento da pandemia da Covid-19 em seu próprio país e, por meio da disseminação da variante brasileira, pelo mundo. Ele não deve ter permissão para destruir uma das maiores democracias do mundo também”, conclui o jornal.*

(**) O Antagonista

PAÍS DA PIADA PRONTA

A GOIABICE DA SEMANA

Então Eduardo Pazuello, que é muito macho para andar sem máscara em um shopping de Manaus, meteu um atestado para dizer que não podia ir à CPI da Covid e encarar os senadores nesta semana (não podia, mas recebeu Onyx Lorenzoni “em pleno isolamento”). Segundo relatos publicados em O Globo e outros jornais, o general e ex-ministro da Saúde ficou “nervoso” com a convocação — assim como o chefe dele, que resolveu redobrar a produção de factoides e bravatas. Eu não poderia querer melhor CQD para a minha coluna da semana passada: Pazuello é um exemplo acabado do miliquismo de sunga.*

(**) Ruy Goiaba – Crusoé

“ACABOU A MAMATA!”, ETC…

O ‘negócio’ do spray

Em ato atípico para um chanceler, na viagem que fez em março a Israel para conhecer um spray ainda em fase de testes que supostamente funcionaria contra o coronavírus, Ernesto Araújo assinou um documento em nome do governo se comprometendo a fazer o produto dar certo no Brasil. A “carta de intenções” foi firmada com a empresa privada que desenvolve o spray. Antes de deixar o cargo, no fim de março, Ernesto disse ao Senado que o país não havia negociado com os israelenses a compra da fórmula. As tratativas vinham sendo mantidas sob sigilo. Agora, Crusoé teve acesso a um telegrama no qual o embaixador brasileiro em Tel Aviv, general Gerson Menandro de Freitas, diz que no documento assinado pelo então chanceler o governo brasileiro se comprometeu a viabilizar, produzir e comercializar o spray “caso receba a aprovação das instâncias regulatórias nacionais”. Procurado, o Itamaraty respondeu que a carta era apenas a primeira etapa de uma negociação mais ampla e que ela não estabelece ônus financeiros ao Brasil. Antes da viagem de Ernesto a Israel, que contou com Eduardo Bolsonaro na comitiva, o Ministério da Saúde registrou em nota técnica que as evidências sobre a eficácia do spray eram “incipientes”.

Reprodução

A comitiva brasileira, com Ernesto e Eduardo, chega a Israel

ESSA CLASSE ESTÁ BEM PARADA

É INACREDITÁVEL

Nise Yamaguchi, que ainda propagandeia a cloroquina, será recebida hoje pelos bolsonaristas do Congresso Nacional.

A microbiologista Natália Pasternak disse para o Estadão:

“Está mais do que na hora de o Brasil parar com isso, é o único país que ainda leva essa maluquice a sério. É uma conversa que não anda. A ciência já deu as respostas. Não há motivo para insistir numa controvérsia falsa.”

FECHA A MATRACA, SOCIOPATA!

Mudou de patamar a reação de Pequim à sinofobia do governo Bolsonaro

Rússia e China mandam Bolsonaro e Trump calarem a boca - Blog da Cidadania

As metamorfoses fazem parte da política. Mas as transmutações do governo Bolsonaro no relacionamento com a China convertem esperteza em estupidez. Para animar sua milícia virtual nas redes sociais, Bolsonaro insinua que o coronavírus é uma arma criada em laboratório chinês como parte de uma “guerra bacteriológica”. Apenas 48 horas depois de o capitão fazer pose de fortão, o ministro da Saúde Marcelo Queiroga e o chanceler Carlos França visitam o embaixador da China Yang Wanming para expor a fragilidade do Brasil, mendigando a liberação de insumos para a fabricação de vacinas.

O governo Bolsonaro ainda não percebeu. Mas a reação da China à sinofobia do presidente brasileiro mudou de patamar. Dessa vez, a resposta à ofensa do capitão não soou na embaixada chinesa em Brasília, mas em Pequim. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Wang Wenbin, declarou que o “vírus é o inimigo comum da humanidade.” Disse que “a tarefa urgente de agora é todos os países se juntarem em uma cooperação anti-epidemia.” E condenou a “tentativa de politizar e estigmatizar o vírus.”

Em depoimento à CPI da Covid, Queiroga minimizou os efeitos da declaração tóxica de Bolsonaro. Ele informou aos membros da comissão que visitaria o embaixador chinês na companhia do chanceler França. “Vamos continuar trabalhando para manter as boas relações que o Brasil tem com a China”, ele disse. O senador petista Humberto Costa ironizou: “Imagino que ajudou muito a fala do presidente. E o senhor vai chegar amanhã na Embaixada da China e vai ser recebido de braços abertos.”

A China não cogita romper os contratos que preveem o fornecimento de insumos para as vacinas contra a Covid. Mas o atraso no fornecimento da matéria-prima da CoronaVac para o Instituto Butantan demonstra que a coisa poderia caminhar mais rápido se Bolsonaro compreendesse que a diplomacia traz no nome a essência da atividade. Para funcionar, precisa ser macia. Com uma pandemia a pino, a pose de valentão de Bolsonaro serve apenas como oportunidade para que a China demonstre ao gênio do Planalto que a diferença entre a genialidade e a estupidez é que a genialidade tem limites.*

(**) Josias de Souza
Colunista do UOL

NOVIDADE?

Jacarezinho: Lógica da polícia do Rio e de Mourão torna Justiça dispensável

Se levarmos em conta as entrevistas de delegados cariocas e do vice-presidente da República sobre a incursão na favela do Jacarezinho, que resultou no morticínio de 25 pessoas, o Brasil pode abolir o Poder Judiciário. Pela lógica deles, a polícia tem função de acusar, investigar, condenar e executar as penas.

Responsável pela investigação do caso, o diretor-geral do Departamento Geral de Homicídios e Proteção à Pessoa, Roberto Cardoso, já chegou à conclusão antes de apurar e disse que “não houve execução”.

Segundo reportagem de Italo Nogueira e Júlia Barbon, publicada na Folha de S. Paulo, Cardoso alega que o assassinato do policial André Frias é evidência de que a polícia não entrou na favela para praticar uma execução.

“No início da incursão, o nosso policial foi alvejado e foi morto. Isso é a prova cabal de que não houve execução e houve sim uma necessidade real de um revide a uma injusta agressão”, disse Cardoso.

Se um revide que custou 24 vidas é considerado algo normal por quem vai investigar a operação, o que esperar do material que será encaminhado ao Judiciário?

O delegado Felipe Curi, do DGPE (Departamento Geral de Polícia Especializada), foi outro a concluir pela culpabilidade dos 24 moradores mortos, mesmo antes de qualquer apuração.

“Não tem nenhum suspeito aqui. A gente tem criminoso, homicida e traficante”, asseverou ele. Apesar disso, até o início da tarde o governo do Rio não identificou as vítimas.

Para Curi, a convicção parece bastar para taxar alguém como “criminoso, homicida e traficante”.

Como arremate a essa aula de justiça sumária, o vice-presidente Hamilton Mourão também deu sua contribuição. Ao ser perguntado sobre as mortes no Jacarezinho, também arriscou veredito na manhã de hoje: “Tudo bandido”.

Em um país que adota esse método de combate a criminosos, os juízes e os ministros de tribunais superiores podem aposentar a toga. Provas, testemunhas, averiguação, tudo isso se torna dispensável.

Basta que autoridades policiais ou figurões da República tenham convicção formada para que, mesmo antes de qualquer inquérito, alguém seja considerado culpado.

Em outros lugares do planeta, que podem ser chamados de civilizados, prática desse tipo jamais seria considerada como justiça.

Em tais países exóticos, essa conduta é chamada de justiçamento.*

(**) Chico Alves
Colunista do UOL

GENERAL EM RETIRADA

“Fuga” de Pazuello vira piada entre senadores na CPI

O anúncio de que o ex-ministro Eduardo Pazuello não vai depor à CPI da Covid nesta quarta-feira virou piada entre os senadores.

Circula entre eles, por WhatsApp, um falso atestado médico escrito em letra infantil e assinado por um fictício Jair Bolsonaro.

O bilhete, enviado à coluna por um senador, afirma: “Atesto que o Pazuello não pode ir para o debate na CPI. Motivo: gases. Ass: Bolsonaro”. E conclui: “Obs: É verdade esse atestado”.

Pazuello disse ao Senado que teve contato com dois militares infectados pelo coronavírus e por isso não poderia participar de uma sessão presencial.

No fim de abril, o general foi flagrado passeando sem máscara por um shopping de Manaus.

Bilhete fictício que circula como piada entre senadores da CPI da Covid

Bilhete fictício que circula como piada entre senadores da CPI da Covid | Reprodução *

(**)  Por Bernardo Mello Franco  –  O Globo