OS ALIADOS

Campanha com verba pública

Ronaldo Soares

Denunciados
Garotinho e Rosinha: contratos fajutos e empresas-fantasma

Rafael Campos

321 000 reais  na conta-corrente
A atriz Deborah Secco: o pai dela era o operador do esquema que desviava verbas

Com uma trajetória pública marcada pelo populismo, por práticas fraudulentas e até por um processo em que responde por formação de quadrilha armada, o ex-governador Anthony Garotinho (PR-RJ) está enredado em mais um escândalo de corrupção, trazido à tona pelo Ministério Público do Rio de Janeiro na semana passada. O esquema chama atenção por envolver e beneficiar, diretamente, a ele próprio e sua mulher, Rosinha – ambos denunciados com mais 86 nomes, entre eles o da atriz Deborah Secco, todos com os bens bloqueados pela Justiça. A investigação concluiu que, durante os quatro anos do governo de Rosinha, 58 milhões de reais foram surrupiados dos cofres do estado, dos quais 600 000 reais seguiram para o caixa da pré-campanha de Garotinho. Ele planejava sair candidato nas eleições presidenciais de 2006, mas, sob acusações variadas e depois de uma greve de fome que o expôs ao ridículo, acabou fora do páreo. Diz a VEJA o promotor Eduardo Carvalho, à frente do caso: “Poucas vezes numa investigação dessas foi possível rastrear o caminho do dinheiro desviado com tamanha precisão e riqueza de detalhes. Os fatos são irrefutáveis”. O próximo passo do Ministério Público será apurar se houve participação de líderes evangélicos no esquema, sobre a qual há indícios.

Já está bem claro, no entanto, de onde as verbas do estado eram subtraídas e como, depois, chegavam à campanha de Garotinho e ao bolso dos demais envolvidos. A operação tinha como ponto de partida a Fundação Escola de Serviço Público (Fesp), órgão do próprio governo estadual ao qual Rosinha autorizou, por lei, contratar serviços terceirizados – repassados a ONGs – para atender às várias secretarias. Essas ONGs, por sua vez, forjavam contratos com empresas, pelo menos três delas de fachada, para executar projetos que jamais saíram do papel. O Ministério Público concluiu que o operador do esquema era Ricardo Secco, pai da atriz Deborah Secco. As contas-correntes dela registram depósitos provenientes de duas dessas empresas, no valor de 321 000 reais. Defende-se a atriz: “Nunca tive nenhum envolvimento com política. De minha parte, estou inteiramente tranquila”. Com a denúncia, Garotinho, que até então se apresentava como candidato ao governo do estado, e Rosinha, atual prefeita da cidade de Campos, perigam ter, enfim, seus direitos políticos cassados na próxima década.
 

(*) Revista  VEJA  (Assinantes)

4 Responses to “OS ALIADOS”

  • Virgílio Sena disse:

    Os Garotinhos levados já estão nus.
    Será que nus ficarão presos na mesma sela que a Débora?

    ahahahahah

  • Alípio Renaud disse:

    E os Garotinhos são evangélicos…
    Imaginem se não fossem…

  • Marcola disse:

    Se não fossem evangélicos seriam honestos, cara.

  • Gilson disse:

    Gosto muito deste blog, o vejo todos os dias, concordo com muitas críticas que são feitas ao governo ou a um politico, mas, não posso deixar de ficar indignado com a matéria acima,pois não posso pactuar com covardia.
    Esclareço, que não sou eleitor do casal Garotinho, por motivos diferentes, porém, chega a ser cruel o que estão fazendo, acusando sem provas e não dando a eles o direito de defesa.
    A Rede Globo é suspeitíssima em quase tudo que faz, e os promotores em questão, estão claramente a serviço de politicos e estão sendo processados desde 2009 pelo casal, e o processo está sob segredo de justiça.
    Para este blog ser imparcial e domocratico, deveria publicar também a defesa dos dois, que está no blog do Garotinho.

Leave a Reply