Archive for fevereiro 5th, 2010
SEXTA-FEIRA, 5 DE FEVEREIRO DE 2010
SOM NAS CAIXAS
Na radiola, Luiza, de Francis Hime & Chico Buarque, com
Helvius Vilella – piano.
Gravada no Rio de Janeiro, em 2003. *
(*) Acir Vidal, editor do site.
A PROPÓSITO
Francis Hime passou a virada do século envolvido com um novo projeto: escrever arranjos exclusivamente para piano. A idéia surgiu quando o compositor percebeu um fato curioso: não há arranjos de músicas populares para esse instrumento. Assim, surgiu Meus Caros Pianistas.
O projeto, pioneiro, traz em dois CDs uma visão cronológica de 30 composições de Francis especialmente reescritas. Um trabalho minucioso, segundo ele, “muitas vezes, mais difícil do que compor para uma orquestra inteira”.
O objetivo inicial era o próprio músico gravar o CD. Olivia Hime imaginou ampliar o projeto, e a gravadora Biscoito Fino convidou 15 pianistas para participar do disco. O repertório inclui criações populares de Francis Hime, assim como músicas menos conhecidas, mas muito especiais e significativas para o compositor. Houve também uma preocupação em escolher composições que combinassem com uma linguagem mais pianística.
Entre os convidados há pianistas populares e eruditos. As músicas foram divididas de acordo com o perfil de cada um. Participaram do projeto Wagner Tiso, Miguel Proença, Clara Sverner, Leandro Braga, Antônio Adolfo, Helvius Vilella, Cristovão Bastos, João Carlos Assis Brasil, Fernanda Canaud, Maria Teresa Madeira, Gilson Peranzzetta, Gilda Oswaldo Cruz, Linda Bustani, Sônia Vieira e Rosana Diniz. O resultado dessa miscelânea de olhares sobre a obra de Francis é um disco inusitado e original.
Com este projeto, Francis teve a oportunidade de rever suas músicas. Da primeira vez que elas foram escritas a preocupação era o tom do vocal. Agora, o compositor teve maior liberdade, pôde escolher o tom que melhor cabia ao instrumento: “Fiquei experimentando, até descobrir o ideal”. As regravações são também uma redescoberta da obra de Francis Hime. Ele acredita que “as composições não ficam nem melhores nem piores, mas simplesmente diferentes. Cada músico tem seu próprio caminho,” conclui.*
(*) Release da gravadora Biscoito Fino.
IN MEMORIAM
Pianista que tocou com cantores como Milton Nascimento e Nana Caymmi, Helvius Vilella saiu de cena na madrugada da sexta-feira, 29 de janeiro de 2010, no Rio de Janeiro (RJ), aos 68 anos. Vítima de câncer no pulmão, Helvius, um grande amigo, era mineiro e iniciou sua longa carreira ainda adolescente, tocando em bailes e em casas noturnas de Belo Horizonte (MG), sua cidade, onde nasceu em 26 de dezembro de 1941. Além de pianista (dos grandes), Helvius atuou como compositor e arranjador. De 1964 a 1967, fez parte do Tempo Trio, com o qual chegou a gravar um LP. Radicado no Rio de Janeiro (RJ) a partir de 1968, quando o conheci, Helvius, meu antigo vizinho no Humaitá, tocou na noite carioca e, já em 1969, formou outro grupo, Vox Populi, com o qual gravou mais um LP. Chegou a se mudar para o México, onde viveu por um ano, e depois para os Estados Unidos no início dos anos 70, porém logo voltou para o Brasil, onde seu piano abrilhantou discos e shows de nomes como Milton, Nana, Elizeth Cardoso (1920 – 1990) , Alceu Valença, Miúcha, Tito Madi, Quarteto em Cy, Paulinho da Viola – entre outros. Era muitíssimo querido por toda a MPB.
Helvius é mais um da minha turma que parte, sem a minha autorização, pro andar de cima deixando enorme saudade. *
(*) Acir Vidal, editor do site.
Na radiola, Ouropretana, de Helvius Vilela
NO SE PIERDAN ESTO!!!
Éstas son las fotos mostradas en la rueda de prensa gubernamental de anoche:

Y ésta fue la foto que yo saqué de Wikipedia:
http://es.wikipedia.org/wiki/Archivo:P3corion.jpg
¿No es la misma? ¿Idéntica?
(Ustedes mismos pueden encontrarla en Wiki en el link debajo de la foto
o haciendo una búsqueda del P3 Orion de la Lockheed).
Sin más comentarios.
Saludos.
A PROPÓSITO
Só internando Huguito. A foto do avião que ele mostra ao povo venezuelano afirmando ter sido tirada numa tentativa de invasão pelos “imperialistas” data na verdade de 1979. Preparem os dardos traquilizantes…
PS: Este e-mail foi enviado por venezuelanos, que detectaram mais esta mentira……
CADEIA? SÓ PARA OS POBRES
Pesquisa da FGV diz que 40% criticam STF
Supremo foi “pouco” ou “nada neutro” nos julgamentos de Palocci e Cesare Battisti, aponta levantamento
Pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV) sobre a qualidade da Justiça no Brasil revelou que 39,8% dos entrevistados desaprovaram a atuação do Supremo Tribunal Federal no julgamento do ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda) e do italiano Cesare Battisti. Para eles, nos dois episódios, o órgão foi “pouco” ou “nada neutro”.
O levantamento, referente ao quarto trimestre de 2009, faz parte do ICJBrasil (Índice de Confiança na Justiça), medida criada pela Escola de Direito da FGV. Foram ouvidas 1.588 pessoas em São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Recife, Salvador, Porto Alegre e Brasília.
A cidade mais crítica ao STF é São Paulo: 43,7% dos paulistanos disseram que o órgão foi “pouco” ou “nada neutro” no julgamento de Palocci e de Battisti. A seguir vêm Porto Alegre (42,5%) e Brasília (40,4%).
No primeiro episódio, o tribunal rejeitou a abertura de ação penal contra Palocci, hoje deputado federal, por quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. No segundo, votou pela extradição de Battisti, mas delegou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a decisão final sobre o caso.
Na média nacional, 38,6% afirmaram que o tribunal foi “neutro” ou “muito neutro” nesses dois casos; 21,7% disseram não saber responder.
“A escolha da pergunta foi uma contingência, eram os temas mais comentados à época. A cada trimestre, haverá novas questões”, disse a professora Luciana Gross Cunha, coordenadora do ICJBrasil.
O ICJBrasil ficou em 5,8 pontos, em escala de 0 a 10, o que significa um avanço de 3,5% em relação à pesquisa anterior. 71% dos entrevistados disseram duvidar da honestidade e da imparcialidade da Justiça.
Lentidão
Ontem, o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, disse que, ao declarar ser um “mito” a lentidão da Justiça, tinha a intenção de “qualificar o debate”. A afirmação gerou polêmica. “O diagnóstico mais simplista que o jornaleiro e o jornalista fazem é de que o mal é a morosidade do Judiciário. Só tentei iluminar esse debate.”
(*) Folha de São Paulo (Assinantes)
O DEDÃO FANTASMA
Vou logo adiantando que esta não é uma boa história. Quem vê o intrépido homem vencer a montanha e chegar vitorioso ao cume tende a crer que a vida dos alpinistas e excursionistas é um mosaico de alegrias, charme, glórias. Ledo engano; há também dores, derrotas e pesadelos. É disto que tratam estas linhas.
Nas décadas de 1960 e 1970 o estranho esporte do alpinismo era ainda pouco praticado no Brasil. Material especializado de boa qualidade era inexistente e parte do que usávamos era improvisado. Enquanto a Europa tinha leves cordas de nylon, aqui o padrão era o sisal pré-histórico e quem nunca manejou um cabo de sisal encharcado de meia polegada, com sessenta metros, não faz idéia do que significa lidar com uma corda molhada e cheia de terra que, não raro, nos deixa-va as palmas das mãos em carne viva. A fibra de sisal é resiliente, pouco flexível, tende a embaraçar e a formar cocas difíceis de desfazer e em momentos parece animada por um espírito galhofeiro dotado de vontade própria. Por isso, preparar o material para o regresso em dias de chuva era uma corvéia que tomava um tempo enorme. Mais, corda molhada duplica seu peso e era esse trambolho adicional que, já fatigados, tínhamos de acrescentar à nossa bagagem. Um dos “castigos” usuais era justamente ficar encarregado da corda na volta de uma escalada, mas eu de bom grado me ofereceria para ser o carregador perpétuo das cordas, se soubesse o tipo de carga que um dia ia ter de levar às costas. Mas chegaremos lá em seu devido tempo.
Algumas das principais vias de escalada do Rio estão plantadas no meio das áreas de maior concentração urbana e a exposição fazia de nós, praticantes, parte da paisagem da cidade. Não é incomum mesmo hoje uma cordada ser acompanhada das janelas de prédios confrontantes, da rua ou da praia, logo ali, do outro lado da rua.
Foi essa visibilidade que tornou os clubes de montanha uma opção natural dos bombeiros para seleção de instrutores, com vistas ao seu aprimoramento para missões de busca e salvamento, pois a técnica de escalada, a manobra de cordas, os nós e o equipamento envolvidos não são diferentes dos do esporte. Oficiais, graduados e soldados passaram a ser matriculados nos cursos de guia e de escalada mantidos pelos principais clubes. Alguns alunos bombeiros se tornaram sócios; outros, infelizmente, em decorrência dos riscos inerentes à profissão, partiram mais cedo para a suprema escalada. Dois destes, pelo menos, estão homenageados na montanha; paredões de escalada, um no morro do Cantagalo e o outro na Agulhinha da Gávea, levam seus nomes: Walmir de Castro e Jorge de Castro, respectivamente.
Não cheguei a atuar diretamente no treinamento dos soldados do fogo, pois não era guia di-plomado, mas fui cofundador e membro ativo de um grupo voluntário de busca e salvamente na floresta e na montanha. Quando chegava ao nosso conhecimento que alguém se perdera na mata, ou estava em situação crítica em uma escalada, entrávamos em contacto com o Quartel Central e nos oferecíamos para participar das operações de socorro. Por sermos capacitados, nossa oferta era sempre bemvinda e houve mesmo ocasiões em que a convocação partiu da corporação.
Fiz menção a pesadelos? Certa tarde estava na casa de minha noiva quando recebi um telefo-nema; alguém havia sofrido um acidente ao tentar completar um lance particularmente exposto da Passagem da Orelha, na Pedra da Gávea. Um destacamento estava na mata há mais de oito horas e necessitava de reforço.
Largamos tudo, três companheiros do CEB e eu, e lá fomos nós, após uma escala em casa para mudar de roupa e pegar o equipamento, para o ponto de encontro em São Conrado, no início da trilha da Gávea, onde uma guarnição presente nos inteirou da situação. Tratava-se de recuperar o corpo de um adolescente, dezessete anos, que havia se despenhado em queda livre de uma altura de cerca de duzentos metros. Estava escalando sem segurança, coisa que contraria as normas de prudência do esporte.
Era uma noite sem lua. Iniciamos a subida e a meio caminho nos encontramos com o grupo de salvamento exausto, que descia sem água e já sem carga nas baterias das lanternas. O corpo, encontrado na base do paredão que fica ao pé da Orelha, tinha sido envolvido em uma lona e amarrado a uma trave improvisada com um tronco de árvore, carregada nos ombros de quatro bombeiros: dois na frente e dois atrás; a picada estreita e cheia de curvas não permitia outro arranjo. Daquele momento em diante assumimos a tarefa de substituir os soldados e trazer o menino montanha abaixo, seguindo uma trilha sinuosa e acidentada em plena mata noturna. E como pode ser escura uma floresta à noite!
Foram horas intermináveis com aquele pobre imprudente sobre os ombros, nas trevas, trope-çando e lutando para manter o equilíbrio. Um elemento se somou ao desconforto: as condições locais nos forçavam e manter fila indiana, dois na frente, dois atrás, nós quatro nos revezando para dividir o esforço. Nos trechos mais íngremes o corpo deslizava pela trave e o carregador logo à sua frente tinha de conviver com a um dedão do pé inerte e frio a esfregar em seu rosto. Tínhamos de fazer um esforço extraordinário para não largar tudo e voltar para casa.
Finalmente, São Conrado. O dia começava a raiar. Lá estava um carro da corporação e um veículo de passeio com um casal. Eram os pais do garoto. Para nossa surpresa, mal chegamos, eles entraram no carro e foram embora. Aquilo me chocou particularmente porque nós nos havíamos voluntariamente sacrificado para oferecer um pouco de conforto solidário e desinteressado a pessoas aparentemente insensíveis. Não quero julgá-los; talvez tenha sido apenas o impacto da brutal perda que ditou essa reação tão insólita.
Embarcado o corpo, subimos juntos na viatura e partimos para o quartel do Humaitá, para preparar nosso relatório. Nós e nossos colegas bombeiros não nos havíamos recuperado ainda da fadiga e mal podíamos manter os olhos abertos. Soubemos depois que o turno de vinte e quatro horas deles havia se transformado em um de quarenta e oito. Precisavam desesperadamente de alimento e descanso, mas o próximo turno, que se iniciara às seis horas daquela manhã, era o deles e se houvesse um chamado teriam de entrar em ação. Não há folga no Corpo de Bombeiros; tinham pela frente pelo menos outras vinte e quatro horas de plantão. Grandes profissionais, os colegas bombeiros, sempre prontos e dispostos a se sacrificar pela segurança e o bem dos cidadãos. Pelo que leio e escuto, as coisas hoje ficaram um pouco diferentes para uma minoria que não chega a manchar a corporação, felizmente.
Não é uma boa história, avisei, mas é um pedaço de mim. Até esta data contei-a para poucos; não sinto prazer em contá-la. Durante anos eu, volta e meia, acordava à noite e me pegava esfregando a face direita para espantar a sensação de um dedão fantasma gelado a me roçar o rosto.
E, estranho, eu nunca soube o nome daquele garoto.
(*) Henrique Morais, escritor mineiro de Barbacena, na Ilha do Governador, Rio de Janeiro, em 12 de janeiro de 2010.
EFICIÊNCIA PORTUGUESA
Uma velhinha acabou de ficar viúva e foi até a funerária para ver como seu marido estava sendo preparado para o enterro.
No momento em que ela vê o corpo, começa a chorar muito. O homem da funerária vendo a cena se aproxima e começa a consolá-la, mas ela diz que não está chorando pela perda do marido e sim por causa do terno que ele está usando.
Ela explica que eles o vestiram com um terno preto e o desejo do finado sempre tinha sido de ser enterrado com um terno azul turquesa.
O homem explica que tradicionalmente sempre usam ternos pretos, mas que ele faria o possível para atender o desejo do falecido.
Meia hora mais tarde, a velhinha retorna a funerária e ao ver seu marido quase chora novamente, mas dessa vez de alegria.
Lá está seu marido com o mais bonito terno azul turquesa que ela jamais vira em sua vida.
O homem da funerária aproxima-se dela e pergunta:
- Está tudo de acordo ?
- Sim, sim! Maravilhoso! Mas onde o senhor conseguiu um terno tão lindo tão rapidamente?
- Ora pois… depois que a senhora saiu, um outro morto do tamanho do seu marido foi trazido e ele usava esse terno azul. A viúva do gajo também estava triste porque ele sempre quis ser enterrado em um terno preto.
A velhinha então sorri para o homem encantada com a consideração dele. Até que ele continua sua explicação:
- Aí ficou fácil antão… foi só trocar as cabeças!
(*) Enviada pela Maria Helena Santini.
ELEIÇÕES 2010
Para o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, os 30% da ministra Dilma Rousseff, registrados na recente pesquisa Sensus/CNT, esgotam o poder de transferência de votos do Presidente Lula para sua candidata. Montenegro tem repetido a plateias de políticos de Brasília, como um mantra, que o PT não vence a eleição presidencial. *
(*) Roque Sponholz, chargista/caricaturista/editorialista do site.
A PROPÓSITO
OBRANDO – DIA E NOITE
PRIMEIRO MUNDO
Mato Grosso registra mais de 9 mil casos de dengue em um mês
Mato Grosso está em estado de alerta contra a dengue. Em janeiro, foram registrados 9.209 casos de dengue, um crescimento de mais de 700% em relação ao mesmo período de 2009. Neste ano, 11 pessoas já morreram por causa da dengue – cinco eram crianças.
A última vítima foi uma menina de 5 anos, que morreu na semana passada. Parentes, amigos e vizinhos ficaram revoltados e protestaram.
O medo da doença faz o movimento nos hospitais aumentar muito. Em um pronto-socorro, 30% das pessoas que procuram por atendimento apresentam sintomas da dengue.
Para intensificar as ações de combate, técnicos sobrevoam as cidades que têm mais casos da doença. Do alto, identificam as áreas de risco. São terrenos baldios que viraram depósitos de lixo e ferro velho com carros abandonados.
O mapeamento ajuda as equipes que trabalham nos bairros da cidade, combatendo o mosquito transmissor da doença. “Na região central de Cuiabá, há muitas caixas d’água sem tampa. Vamos intensificar as ações com agentes de saúde e também a parceria com a Vigilância Sanitária e fiscais de meio ambiente, que podem autuar pessoas com quintais em condições inadequadas”, alerta Fábio Oliveira da Silva, do comitê de combate à dengue da capital.
A Justiça de Mato Grosso autorizou a vistoria nas casas abandonadas e a Polícia Militar foi convocada para cumprir a ordem judicial.
(*) Ambiente Brasil.
PANETONEGATE
Bilhete liga Arruda a suposta tentativa de
suborno a testemunha de corrupção no DF
MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília
O jornalista Edson dos Santos, o Sombra, afirmou na noite desta quinta-feira à Folha Online que entregou para a Polícia Federal um bilhete escrito pelo governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (sem partido), que seria uma das provas da tentativa de suborno. A Polícia Federal confirmou a entrega do bilhete, mas não faz referência ao autor. O bilhete deve passar por uma perícia.
Segundo Sombra, ele recebeu o bilhete entre os dias 8 e 9 de janeiro das mãos do deputado distrital Geraldo Naves (DEM), amigo do governador e suplente de Paulo Roriz, secretário de Habitação. O recado de Arruda teria sido utilizado durante a negociação do suborno. No bilhete, de acordo com o jornalista, Arruda teria escrito siglas e frases soltas, como: “sei que tentou evitar’.
“Eu deixei o bilhete com a Polícia Federal. Recebi entre os dia 8 e 9 janeiro, do deputado Geraldo Naves, presidente da CCJ [Comissão de Constituição e Justiça]“, disse.
Naves negou que tenha participado de qualquer negociação de suborno. “Eu nunca tratei de nenhuma verba em nome de ninguém enquanto deputado. O que eu já fiz foi pedir verba de publicidade há muito tempo atrás quando eu e o Sombra éramos radialistas, antes de ser deputado”, disse.
De acordo com o jornalista, o suborno poderia chegar a R$ 3 milhões e seriam pagos em parcelas.
Sombra é a principal testemunha de Durval Barbosa, delator do esquema de corrupção que envolve o governador. Ele prestou depoimento nesta quinta-feira à Polícia Federal depois que os policiais prendera, em flagrante, o conselheiro do Metrô do Distrito Federal Antônio Bento da Silva.
Sombra afirma que Silva o teria procurado para que trocasse seu depoimento na Polícia por dinheiro.
Em imagens gravadas pela Polícia Federal momentos antes da prisão, Sombra assina papéis e repassa para Silva. Após a assinatura de documentos, Silva entrega uma sacola para o jornalista.
Segundo a PF, a sacola tinha R$ 200 mil, que seria a primeira parcela do suborno. Os papéis seriam uma declaração do jornalista afirmando que os vídeos feitos por Durval e que fazem parte do inquérito do STJ (Superior Tribunal de Justiça) sobre o esquema de pagamento de propina teriam sido manipulados.
As gravações do delator mostram Arruda, o vice-governador, secretários, assessores, deputados distritais recebendo suposta propina.
Sombra afirmou à PF que Silva estava interessado em oferecer uma quantia de dinheiro em troca de direcionamentos para seu depoimento. A Polícia Federal passou a monitorar Silva, que também é gerente comercial do jornal que Sombra tem na cidade.
O jornalista teria telefonado ontem para a Polícia Federal informando do encontro na manhã de hoje em um restaurante, no setor Sudoeste de Brasília, onde foi realizada a prisão em flagrante.
Após a prisão em flagrante, Silva e Sombra prestaram depoimento na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, aos delegados Eumiz Antonio Rocha Junior e Alfredo Junqueira. Sombra foi liberado e deixou o local sem falar com a imprensa.
Silva está preso em uma cela de prisão em flagrante da Superintendência da Polícia Federal em Brasília onde deve passar a noite. A prisão em flagrante é de cinco dias renováveis por mais cinco dias. Como não há mais carceragem na Superintendência, ele pode ser transferido nos próximos dias para o presídio da Papuda. Ele passou por exame de corpo de delito no IML (Instituto Médico Legal).
Ao todo, o inquérito do STJ (Superior Tribunal de Justiça) envolve 36 pessoas, entre autoridades do governo local, deputados distritais e empresários. Segundo o inquérito, há indícios da prática dos crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa e passiva, fraude de licitação e crime eleitoral.
Armação
Em nota, o GDF (Governo do Distrito Federal) afirma que foi uma “armação de Durval Barbosa” a tentativa de suborno de Silva ao jornalista.
“Fica evidenciada mais uma tentativa de armação do grupo de Durval Barbosa para comprometer o GDF e turvar as investigações. O GDF repudia as insinuações divulgadas e nega qualquer envolvimento com este lamentável episódio”, disse.
Segundo o documento, Silva tentava intermediar encontros de Sombra, principal testemunha de Durval, com Arruda. A nota afirma que Silva tentava negociar patrocínio do GDF para o jornal da mulher de Sombra. Segundo o governo, os pedidos de publicidade foram todos negados.
“O sr. Antônio Bento trabalha para o jornalista Edson Sombra no jornal ‘O Distrital’, de propriedade deste, onde ocupa o cargo de diretor comercial. Nos últimos 15 dias o sr. Antônio Bento procurou insistentemente o GDF, primeiro com o pedido de um encontro entre o jornalista Edson Sombra e o governador Arruda; e, a seguir, com pedido de patrocínio para o referido jornal. Todos os pedidos foram negados”.
(*) Folha Online.
















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